
Não estou em um dos meus melhores dias.
Cheguei em casa, tinha sopa e torradas (de pão de ontem). Ia até pegar uma, mas deixei pra depois.
Papai chegou e mamãe também. Conversei um pouco com ela conversas de coração (apaixonado). Depois ela saiu do quarto e eu chorei (chorei demais...lá lá lá).
O fato é que não estou num dos meus melhores dias. Porem, sei que isso não tem mais tanto pesar. Preocupo-me com isso, pois se fosse em outras épocas estaria bem pior. Será que estou bem? Bom, se sim se não, não deixa de ser um dia ruim.
Passei o dia com os olhos enchendo e desenchendo de água, ou melhor, lagrimas. Nisto pensava: Deus eu não quero chorar aqui. Em meio a meias lagrimas, ou lágrimas engolidas (olhos engolem lagrimas? O meu sim!) a garganta apertava e atenção ia embora. Lembrava da noite de ontem, do constrangimento.
Lembrava que não temos o direito de poupar as pessoas de suas dores. Porque haveriam de me poupar das dores? Porque ensinar a evitar as dores em vez de ensinar a viver as dores?
Lembrava de hipocrisia, de neurose, de chatices. Lembrava de máscaras, de autenticidade, de explicações. Lembrava que fiquei calada, que quis chorar e que não queria voltar pra casa.
Lembrava que ele não tem culpa, mas que eu bem que gostaria de puni-lo para atingir quem de fato me feriu. E será que vai adiantar? Correrei o risco de perder o meu amor. E será que é meu amor? E se for? E se não for? E se for, mas não for pra agora?
Lembrei do jantar de amanhã. Pensei que não quero ir. Aff... Pra quê aturar isso? E porque não aturar? Será que sou tão coitadinha assim? E será que preciso pensar que sou coitadinha pra me convencer de que devo ir? Afinal, o que devo fazer? Aff... alguém responde!
Pensei em casamento, em sogra, em cunhados. Lembrei da minha TPM e da minha amiga saudosista. Pensei que fico bem menos tolerante quando estou de TPM. Este mês então meus seios quase explodiram de tão estressada que eu estava. Pensei em possíveis estrias. Lembrei de hidratante e da minha idade. Pensei em trabalho, em viagem e em pessoas.
Uma vez pensei que pobreza tornava as pessoas mais humildes. Ontem pensei que não há lógica em punir os outros por condições financeiras restritas. Diga-se de passagem, escolhidas. Escolheu ser pobre? Azar! Não falo de injustiça, falo de escolha.
Senti-me burra hoje. Desinformada. Tem gente que já leu tanto. Eu li tão pouco. Queria ter lido mais. Quero ler mais. Lembrei do aniversario de um ano e da mesa de docinhos. Lembrei da moça desesperada que enchia chapeuzinhos com doces e lembrancinhas pra levar pra casa. Lembrei que fiquei irritada. Lembrei que me irrito com o que me identifico. Que ódio!
Penso no meu pai e no meu irmão e penso que penso em muitas coisas, mas é rápido demais, não dá pra escrever tudo. Pensei numa conversa que tive na cozinha com meu querido irmãozinho. Falávamos de felicidade. Acreditem: eu falava pelos cotovelos na tentativa de uma aproximação. Nisto eu me dava. E no final das contas ele disse: - ta vendo como tu tem necessidade de falar... quando tu fizer analise tu vai falar pra caramba. “Baralho”! Que merda de analise! Só queria me aproximar, posso? Lembro-me da culpa que sinto por ele estar do meu lado e eu não conhecê-lo. Ele, aqui, vendo televisão de cueca de pernalonga.
E eu aqui, de chambre, escrevendo coisas para aliviar a dor.
E continuo achando que viver é melhor que evitar a dor.
Ana
2 comentários:
Anabela...
Se tu não tivesse as tuas zangas... Nem as torradas de ontem... Nem papai e mamãe... E se tu não chorasse na TPM... E se tu não me fizesse saber que olhos engolem lágrimas... Que temos escolhas... Que os teus seios ficam a ponto de explodir... Ah, Anabela... Se não fosse tudo isso... Se tu não fosse tão normal... Se tu não fosse como os homens adorariam que todas as mulheres fossem de vez em quando... Ah... Certamente tu não seria assim, tão bela!
Um super beijo.
Adagga
Ah, Addaga...
se tu não fosses tão "tu" misturado a um "Adagga" (um cara disfarçado de safado, que não me convence), eu então não seria Ana e aqui não seria o confessionário. E a curiosidade não existiria. Assim, como a admiração por uma pessoa que certamente existe em algum lugar de São Luís.
Querido, já encontraste lugar na minha lista branca.
Beijos
Ana Bela
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