Hoje recebi uma notícia triste e inesperada, uma pessoa que eu conhecia faleceu de repente, não estava doente, nem nada, fazia coisas corriqueiras, quando morreu de um mal súbito. Ela era absolutamente cheia de vida, alegre e exuberante e tinha sede, sede de viver e aproveitar essa vida com tudo que houvesse para aprender e viver, eu não a conhecia bem e nossa convivência foi curtíssima, mas ela transpirava tudo isso com suas histórias e brincadeiras.
Sua rápida partida me faz pensar no não vivido, não pra ela, que, claro, devia ter seus arrependimentos, mas dava pra perceber que ela vivia, com todas as letras da palavra, mas pra mim que raramente penso na efemeridade da vida e deixo de fazer tanta coisa em nome dos meus limites.
Esses limites, posso resumir em dois sentimentos: medo e vergonha: tenho vergonha de querer, tenho vergonha de precisar, tenho medo de dizer que quero e que preciso, tenho medo de pedir, tenho vergonha de chamar, tenho medo de amar, tenho vergonha de amar sozinha, medo e vergonha, medo e vergonha, medo e vergonha de falhar, de tentar, de me expor, de me machucar, isso me limita muito.
Vivo como frágil porcelana e vivo pouco e vivo mal, vivo com ansiedade, pelo sofrimento de fazer alguma coisa, vivo com a tristeza de nada fazer, mas todos esses são limites criados e inventados por mim, só eu os vejo e só me amarram porque eu deixo, eu sei disso...e só eu posso mudar.
Fica a minha homenagem a essa pessoa que VIVIA e exalava vida a quem estivesse próximo, que todos possamos aprender com o seu exemplo.
Mavie.
4 comentários:
Olá Mavie,
depois de Morgana matar a saudade com um texto sobre as simples alegrias, tu completas com o medo... o medo da vida...
Tive vontade comentar o de Morgana, mas tive vergonha, pois tudo eu comento... tive medo do que iam pensar.
Mavie, não sei se isso te ajuda, mas tenho sido uma medrosa, negando a mim a própria vida.
E o que será viver sem o medo? É como se eu tivesse desaprendido...
Abraços
Ana
Ana, acho que os comentários são a integração entre os "confessioneiros", são o "feedback" de que precisamos na solidão de quem fala sozinho, por isso são sempre bem vindos!
Muita luz. Morgana.
Ana, você realmente se deixa petrificar pelo medo, medo da censura, da auto-censura, medo de falar, medo do que vão pensar, medo de viver.
O medo é um dos piores sentimentos que existem, agindo sobre nós feito um raio paralisante como aqueles dos desenhos animados, que ao nos atingirem nos impedem completamente de qualquer movimento ou reação.
Não sei se sou legitimada a falar sobre isso ou aconselhar alguém a respeito, mas aqui isso de fato não importa. O que sei é que por muitos anos de minha vida, não soube bem o que era esse sentimento, o que me proporcionou momentos indeléveis de felicidade produzida por coisas simples como o nascer do sol ou um banho de mar de roupa após um longo e cansativo dia de trabalho.
Hoje não me permito viver sem ele, o medo, que me pondera, me faz covarde e um pouco mais prudente. Sei que preciso de algumas pitadas dele para viver civilizadamente e de maneira mais adulta.
O que não quero é me render de todo a suas amarras, passando horas ou até dias pensando no que iriam falar ou pensar de mim. Às vezes é preciso esquecer um pouco do mundo e lembrar de nós mesmos, para jamais deixarmos para trás quem realmente somos ou o que realmente queremos dessa vida, que é curta demais para não ser desfrutada.
Um beijo a todos.
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