quarta-feira, janeiro 03, 2007

CAPÍTULO I

É assim mesmo, não havia de ser diferente. Durante toda uma vida seguindo uma famigerada rotina de idas e vindas, de vaidades que não enxergam fim, de vírgulas e hiatos comportamentais. Era pra ser assim mesmo.

Falou-se muito sobre aqueles dias em que estava a visitar a casa da mãe, no Centro Velho de São Luís. Viúva, ligeiramente redonda e um pouco surda, sobrevivia entre samambaias e gaiolas a discreta senhora Camélia Berreto Mocis, outrora conhecida como Diana Sabor. Ali residiam também uma criada antiga e uma menina de favores que ainda não completara quinze anos de vida.

Foram três ou quatro dias de uma estadia quase invisível aos olhos de uma vizinhança curiosa por saber a respeito do jovem que chegara à tarde de uma terça-feira quente e nervosa como são as que se passam no mês de outubro na capital maranhense. Porém, revelou-se aos insones quando estava alta a noite e calada a Rua do Passeio e suas esquinas, levando sempre consigo uma sacola branca cheia de algo que não era entendível ao espectador da ocasião. Ninguém um dia presenciara o retorno das voltas noturnas, o que envolvia de mistério a situação.

Cogitou-se entre fofocas e cochichos o que teria o sujeito em relação ao ocorrido. Os mais velhos falavam que não, os jovens diziam que sim, e assim foram conduzidas as rodas de conversas durante os meses seguintes no Centro de São Luís.

(continua...)

Nassa

Um comentário:

Anônimo disse...

Estou a espera da continuação.
Sílvio