terça-feira, janeiro 06, 2009

No tempo das uvas

Uma vez, há muitos anos atrás (parece início de conto de fadas, mas não é), assisti a um curta-metragem na TVE, que nem sei se ainda existe, chamado "No tempo das uvas", só lembro que era com Ana Paula Tabalipa, jamais consegui encontrar esse filme de novo, mas ele me marcou profundamente.
Contava a história de uma senhora idosa, que recordava a sua juventude em que ela vivia às voltas com dois amores: o Arlequim e o Pierrot, obviamente o primeiro representava toda a alegria, descontração, paixão, divertimento, enquanto o última era mais sério, comprometido e dedicado, afinal foi com este com quem ela se casou, pois o Arlequim realmente não passou de um momento alegre e apaixonado de sua vida, deixado para trás pela segurança e estabilidade, não sem tristeza. Mas o mais importante de tudo, foi a sua descoberta posterior e que conclui o filme de que o Pierrot também tinha dentro dele um Arlequim, que ela terminou amando e se divertindo ao longo dos anos em que foi casada e feliz, sobrando para o primeiro Arlequim somente as lembranças, nostálgicas, porém aliviadas.
O que me impressiona e marca até hoje, todas as vezes em que me lembro desse filme é que eu também tenho uma tendência a me apaixonar perdidamente pelos Arlequins da minha vida, oss quais trazem alegria e exberância e me sacodem da minha estabilidade como uma lufada de vento que vem do mar, bagunçando meu jeito às vezes tão certinho de ser, me sacudindo da minha rotina, porém, normalmente, esse mesmo jeito estouvado e louco que me apaixona, termina se mostrando leviano e trazendo uma certa pitada de crueldade, egoísmo e inconsequência que me ferem profundamente e, depois de um tempo, terminam por me machucar com suas atitudes impensadas. Não, eu não tento controlá-los, amo-os em sua liberdade e loucura, por isso deixo-os serem quem são, porém, eles não compreendem essa liberdade e vivem como se nada pudesse me atingir e assim me magoam e eu me afasto.
Nesse momento, surge o Pierrot, calmo, tranquilo, me inspirando toda a confiança e segurança do mundo e, normalmente, é por ele que eu opto, mas alguns Pierrots simplesmente não têm um Arlequim dentro de si e aí sempre termino achando que fiz a escolha errada. Ainda não tive a sorte da mocinha do filme de encontrar esse Arlequim perdido dentro de um Pierrot e viver o que amo e gosto só com um homem, vivo uma dualidade constante em que escolho o Pierrot sempre e desejo o Arlequim perdidamente, ainda que só na minha fantasia...

Loreley.

Um comentário:

Anônimo disse...

Loreley ainda sonha! Viva!
Ana