Sempre me identifiquei com as pessoas trágicas e solitárias, aquelas que têm um grande amor que não se realiza, sofrem por ele, mas esse sentimento é realmente vivido somente por breves momentos, quando o é, a maior parte do tempo é idealizado e amado mais do que a própria pessoa objeto de desejo. Objeto... palavra horrível para se referir a uma pessoa, mas é isso que ela se torna nesses casos, um adereço de um sentimento maior, que não, não é o amor, caríssimos, mas a falta...
Falta no sentido de perda, no sentido de não ter e do amor ser logicamente anterior e posterior a ela, mas a falta suplantando o próprio sentimento que a gerou. Explico com uma historinha: mulher que se interessa pelo homem que se interessa igualmente, vivem uma relação, em que a maior parte do tempo a mulher acha que não é ele, que não pode ser ele, relaciona todos os defeitos e problemas futuros e conclui não é ele, mas a (a historinha é curta) o momento dos dois acaba e a moça de duvidosa passa a ter certeza de que é ele, vê-se perdidamente apaixonada e, ao mesmo tempo, não faz nada, desiste e ama a falta e sofre por ela e dói e fica triste, mas nada faz. Assim, continua sozinha e trágica, com o seu amor, que porque idealizado e amado, o sentimento torna-se imenso e não sujeito a questionamentos, pois não existe mais a presença humana e imperfeita que os geravam, pois (lembram?) a relação acabou.
Conclusão: a falta se tornou mais importante do que o outro, a falta que faz a certeza que o homem não traz, aí permanece a solidão acompanhada do sentimento, que justifica a falta e o ciclo que não termina.
O problema é: sempre tive medo de insistir, tive medo de querer muito uma coisa ou mesmo de querer e ser castigada por isso, punida por insistir, punida por lutar, por isso, no primeiro obstáculo, eu paro, paro de insistir, paro de lutar, desisto e vivo o sentimento dentro de mim, até que ele passa, porque passa, uma hora passa, aí sou trágica até que passe, depois vejo que não era nada disso, mas que bobagem a minha...
O mais importante é que eu desisto, não insisto, pois tenho medo das consequências de querer demais, é como se esse querer acompanhasse uma punição ou simplesmente tivesse efeitos com os quais eu tenho medo de arcar. É como se o obstáculo fosse um aviso para não ir adiante e se eu insistir, então é problema meu e sempre vai ser um problema, não existe segunda opção ou até existe: trágica e sozinha, assim é mais fácil.
Loreley.
Um comentário:
Não é ele, Noreley. Quando for ele tu vais insistir. Ops! Sou trágica.
Ana
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