sexta-feira, abril 03, 2009

Confissão

Faz tempo que não leio nada, que não escrevo nada, isso me deixa um tanto inquieta pois ambos me trazem muito prazer. Posso constatar, depois de muitas divagações a respeito, que a vontade de escrever em mim só é engatilhada pela dor, mas uma dor mansa que não chega a latejar ou estancar meus pensamentos, porque essa não me deixa nem sequer escrever.
É uma pena p´ra mim assumir isso, já que amo escrever e ler o que escrevo e não pretendo viver sentindo dor.
Hoje não sinto dor, nem amor, ou qualquer sentimento que possa ser inspirador (até rimou). O que tenho sentido é um grande vazio de emoções, a não ser a confusão que em mim virou uma constante. Sou confusa sobre quase tudo, sobre como como devo agir, o que devo falar, o que fazer, como lidar com as pessoas... enfim, tudo! Ando meio desconexa, desplugada, fora da ordem e como sempre, insegura.
Não quero sair por aí falando essas coisas, embora eu sempre acabe fazendo isso. No fim das contas, sempre acabo expondo minhas chagas ao primeiro que se mostre disposto a ouvir sem me intenção de me julgar. Prefiro sempre desabafar com pessoas afins, aquelas que provavelmente têm as mesmas limitações que eu. No fundo, não estou nem um pouco a fim de gotas de sabedoria e verdades. É um horror p'ra mim desabafar com alguém e ter como resposta um monte de respostas, críticas e opiniões formadas. Quero descobrir junto, entende?? Aquela coisa: "Nossa, eu também às vezes sou assim, isso também acontece comigo". E dessa afinidade nasceriam possibilidades, idéias e estratégias de mudança ou de como lidar melhor com todos esses "assim's".
Entrei aqui porque estava morta de vontade de escrever um e-mail, mas não tenho para quem escrever. Certamente nenhum amigo teria tempo para respondê-lo e acho que é melhor deixar isso por aqui, não quero respostas de quem já me conhece, não quero ser cada vez mais previsível a todos que convivem comigo. Eu queria mesmo era uma nova descoberta, novas pessoas, novos ares. Sinto-me asfixiada pelo conhecido, pelo habitual. Quero um pouco de solidão, um pouco de mim mesma. Estou cansada de conversar. Hoje quero apenas confessar!

Maria

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