Não sei até quando vou sentir essa dor... A sensação que tenho é de que nasci com ela.... Não entendo por que ela existe... Não entendo por que não se finda... Não sei de onde veio... E na maioria das vezes, eu nem sei por que sinto tanta dor! Acabei de descer do ônibus, estou aqui nessa biblioteca lotada e não consigo conter as lágrimas. Há dias estou cheia delas, há meses, há anos eu acho... Essa dor é tão velha e todos os dias eu acordo com esperança de que ela pode morrer! Olê olê olê olá!
Não sou uma pessoa amarga. Tento ser doce e acho que sou doce. Eu gosto disso, dessa sensação de docilidade. Gosto de ser frágil, de ser acolhida e de ser preferida. Tenho uma necessidade patológica de que as pessoas gostem de mim. Não posso desagradar. Desagradar me tira o sono. E me tira o sono também essa obrigação que imponho a mim mesma, obrigação que provavelmente foi imposta pela minha mãe, que pelo que eu vejo hoje, tem a mesma doença.
Sempre fui da banda boa de todos os grupos a que pertenci, da ala flexível, nunca pertenci aos radicais, nunca fui de guerrilha, sempre fiz parte dos núcleos pacifistas ou neutros. Não coisa mais medíocre do que ser neutra! Na verdade, "essa paz não é paz, é medo"!! Isso eu digo de maneira racional, mas no fundo eu prefiro ser neutra a ser odiada.
Nessa tentativa perene e muito cansativa, acabo metendo os pés pelas mãos e perdendo mais noites de sono. Quase sempre não termino o dia com minha meta de ser “ótima” para todos cumprida. O que não gera nenhum espanto em pessoas normais! Quem consegue ser “ótima” o tempo inteiro??
Glória Vox
2 comentários:
Puxa,Glória, vou te contar, hein... cada um com seu cada qual... eu já sou o contrário, não faço a mínima questão de ser “ótima”. Ao invés disso, dou espontâneas patadas, rompantes de natureza rude. É uma merda! Com isso sou tachada de grossa e prepotente. Já ouvi frases do tipo: "um dia ela aprende que a vida não é bem assim". Vivo sendo amaldiçoada por não controlar meus instintos... ai ai... a luta também é diária. Luto pra não ser arrogante todos os dias... eu sofro e não é pouco... Sabe-se lá se um dia eu mudo... Ser ótima tem suas vantagens, ninguém manda você tomar calmante por não agir docemente diante de situações irritantes.
Realmente, é uma outra perspectiva. Eu sempre achei que era bem melhor não se importar em dar espontâneas patadas e ter uma natureza rude. Sempre acreditei que levar a vida assim fosse bem menos cansativo. Afinal de contas, você não engole sapos, embora esteja mais exposto a ouvir o que não quer...
Hoje, sinceramente, não queria nem um nem outro, nem a docilidade nem a estupidez. Hoje quero apenas me ficar aqui quietinha, me engasgando com minhas neuroses.
Glória.
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