domingo, dezembro 03, 2006

As reduzidas do Ceuma

Antes mesmo de entrar no Ceuma eu já sabia que lá era um shopping, um estacionamento privativo e uma fábrica automatizada de “profissionais”. Lembro que na escola os professores diziam que o canal para a formação superior era ali, e que qualquer outra faculdade do Maranhão, fosse pública ou privada, era fichinha perto daquela colossal infra-estrutura de “saber e fazer”. Talvez.

Devo admitir que temos bons livros e um rico acervo sobre diversos assuntos (até achei um livro de Rider Hagard, autor das aventuras de Alan Quatermain, um herói da minha infância). Os computadores nos laboratórios e na biblioteca quase sempre funcionam e acessam a Internet; o sistema online consegue quebrar a maioria dos galhos, desde rematrículas à renovações de empréstimos sem sair de casa; os professores são qualificados e atendem aos alunos quando requisitados, além de comparecerem praticamente em todas as aulas; temos data show, monitores LCD, salas climatizadas, cadeiras confortáveis... Enfim, o Ceuma é um shopping, um estacionamento privativo e uma fábrica automatizada de “profissionais”, mas, problemas à parte, concede ao aluno a faca, o queijo e o Nescau gelado para não engolir seco todos os entraves e dificuldades de uma faculdade. Digo isso com o conhecimento de causa de quem passou um ano e meio de sua vida acadêmica entre carrapichos e vacas na Universidade Estadual do Maranhão – e olha que eu nem fazia agronomia ou veterinária!

Por essas e outras é que me surpreendi quando vi o tamanho da fila que se formou dentro de uma loja (sei lá o que era aquilo) que tinha máquinas de fazer cópia, entre o tribunal do curso de Direito e o shopping Belas Artes, pouco antes de começar a prova. Avistei um colega de turma que estava entre os que esperavam e fui até ele perguntar qual material ele pretendia copiar pra estudar faltando tão pouco tempo pro início da prova:

- Vou tirar uma reduzida dos slides de fulano! Quer também?

Eu olhei para o livro que trazia, pensei na UEMA, pensei no dinheiro pago religiosamente todo mês, pensei no passe escolar custeado para ir até ali e pensei no que eu poderia vir a ser como profissional de conhecimento reduzido como também eram aquelas cópias e idéias de quem me ofereceu. Respondi miseravelmente que estava com pressa e precisava ir, e assim fui.

Fica a pergunta: do que mais precisa um estudante para tornar-se um estudante de fato?


Um abraço.



Adagga

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