segunda-feira, dezembro 25, 2006

Lista de desejos

Natal, ano novo, peru, presentes, lentilhas, sorrisos, promessas, regimes, descontos... E assim a vida continua em 2007. É o momento para fazer planos e listas de propósitos, estipular metas, alvos... Mas pensando melhor, pra quê isso? Posso dormir num mundo e no dia seguinte acordar em outro completamente diferente! Melhor mesmo é manter as coisas como estão e tentar ser feliz assim.

No entanto, devo confessar que adoraria ver algumas coisas de cabeça pra baixo neste país, sem desconsiderar que já somos um país meio torto assim. Por isso lanço aqui uma lista de desejos para 2007:

1 – PATRIOTISMO

Já parou pra pensar em quantas vezes você cantou o Hino Nacional neste ano?

“Pô, Adagga... Hino Nacional?!”

Sim, ou vai dizer que não dá gosto ver a seleção de futebol da Argentina jogando contra outro país? Eles jogam com muita raça, amor à camisa e respeito ao que defendem, bem diferente de outros conhecidos nossos. Porém, é claro que a Argentina como nação (e como seleção!) não é o melhor exemplo a ser seguido, embora tenha muitos bons exemplos a dar.

O sentimento nacionalista anda meio apagado por aqui. Tomemos como exemplo o desconforto provocado pela Bolívia quando tomou posse das instalações da Petrobrás fixadas naquele território. Para mim e muitos outros brasileiros foi constrangedor lidar com a sensação de impotência provocada pela diplomacia do nosso país. Ainda assim, o assunto restringiu-se apenas a alguns noticiários e análises de cientistas políticos, e nada mais. O vídeo da Daniela Cicarelli (guardado o intervalo de tempo entre os dois assuntos) rendeu mais respaldo popular do que o nosso problema com o gás boliviano.

Lembro quando enfrentamos o problema da carne contra o Canadá. Tivemos nossos filés e tantas outras partes do nosso gado vetadas por conta do crescimento da Embraer sobre a Bombardier canadense na fabricação de aeronaves, sob o pretexto de estarmos com o mal da vaca louca. O embargo também afetava as exportações para os EUA e México, devido ao acordo existente entre eles, o NAFTA se não me engano. Foi linda a nossa reação, ainda que um pouco modesta. A Jovem Pan deixou de tocar músicas de artistas canadenses, consumidores conscientizados boicotavam produtos fabricados lá e até a página oficial do Governo do Canadá foi atacada por hackers brasileiros, que exibiram na página principal uma vaca de biquíni com os dizeres “Hi canadians, this is your crazy cow!”. Sensacional! Além disso, conseguimos que a Organização Mundial de Comércio obrigasse o governo canadense a emitir um pedido de desculpas e atestar a qualidade da nossa carne.

Coisas assim me empolgam, me fazem sentir mais brasileiro, mas não é o que percebo entre os jovens que me acompanham na vida. As pessoas estão muito preocupadas em construir uma vida profissional sólida, comprar um carro cada vez melhor, uma casa cada vez maior e quanto mais o dinheiro permitir. Há muito tempo os movimentos estudantis deram adeus e quase ninguém fala numa nova era cultural, em algo tão impactante quanto o tropicalismo ou bossa nova. Resumindo, sinto que precisamos de um novo momento político e cultural para vivermos e ensinarmos aos nossos filhos e netos quando estes estiverem estudando a NOSSA história, e não somente aquela ladainha portuguesa e o colonialismo das Américas que já estamos carecas de conhecer das salas de aulas.

2 – RESPEITO

Uma vez eu vi um casal discutindo e a mulher, no cume da sua cólera, mandou o companheiro tomar lá se sabe onde. Particularidades à parte, eu acho ridículo um comportamento assim vindo de uma mulher. Se fosse de um homem, tudo bem, os homens são brutos por natureza, mas as mulheres não, elas representam o que há de melhor na psique humana e não convém que lábios que merecem ser beijados com tanto carinho lancem tais aberrações contra alguém ainda que este merecesse todas as farpas deste mundo.

Respeito é bom e eu gosto. Todos gostam. Além do mais, não é uma tarefa hercúlea respeitar alguém. Se não for possível, ignore-o, mas o que não vale é sair do salto.

3 – GARÇONS TREINADOS E EM MAIOR NÚMERO

Precisa dizer mais? O atendimento nos bares de São Luís é péssimo! O único lugar que ainda não tenho problemas é no Bar do Léo, no Vinhais. Nos demais, os garçons demoram a atender, atendem mal e às vezes ainda trazem cerveja quente. Sobre os bares que só vendem Nova Schin então... (ui! ai!).

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Deixo para os amigos de Confessionário meus votos de um feliz natal e que tenhamos todos muitas realizações no ano que vem, que meu fígado resista às festividades de dezembro e que o caminho de casa seja sempre muito bem lembrado (e percorrido).



Um grande abraço.






Adagga

2 comentários:

Anônimo disse...

Adagga, amei seu texto sobre a necessidade de sermos mais patriotas... A gente vê que toda nação patriota tem coesão e trata a soberania como uma coisa sagrada... Aqui o que anda soberano são só os bumbuns das mulatas, pq nem o futebol merece mais esse título. Ah... os indicadores sociais tb andam "só berando" o mais absoluto caos...
Agora, quanto às mulheres, achei louvável vc nos tratar com tanta distinção e delicadeza... Mas, peralá! Mulher também tem sangue na veia, e embora sejamos mais graciosas, é direito do ser humano exercer sua capacidade de se indignar! Se mandar um homem tomar no cu choca, é porque por muito tempo aceitamos tomar no cu caladinhas e resignadas, e vcs não estavam acostumados com reações diferentes...
Nós mandaremos, sim, sempre que for necessário... Só que sem perder a ternura!
Beijo... E vc é fantástico!!!
Sabina.

..::CONFESSIONÁRIO DAS LETRAS::.. disse...

Como sempre seus posts, hein Adagga.
Um ótimo ano!
Beijos
Ana