Jovem adora novidade. Eu particularmente sou fascinado por novas tecnologias e sempre que posso guardo um trocadinho para satisfazer meus fetiches cibernéticos. Recentemente adquiri um monitor LCD de 17” cujo botão de ligar resume-se a um discreto sensor que exige apenas um passar de dedos para que seja exibida a imagem na tela. É lindo!
Mas as coisas não acontecem por acaso. Fui um adolescente viciado em Super Nintendo e passei vários dias (talvez anos!) da minha vida jogando as séries de Super Mario e Donkey Kong Country. A curiosidade em torno dos jogos era tanta que inúmeras vezes me perdi em pensamentos imaginando como seria o passo seguinte e coisas assim. Em outras ocasiões, insatisfeito em apenas jogar, resolvia tentar abrir o console para descobrir como se apresentavam as suas entranhas, mas nunca conseguia. Como não existia um controle sobre os meus horários, era muito fácil varar a noite entre meus vícios e conquistas virtuais.
Acontece que as coisas mudaram, os pêlos cresceram e eu precisei trabalhar. Hoje eu mal tenho tempo de assistir TV e os intervalos que me restam são para ouvir uma estação ou outra de rádio, principalmente na hora do almoço quando estou na minha casa. Na busca por uma distração, acabo sempre esbarrando numa tal de Mais FM e às vezes na Rádio Cidade, duas freqüências populares em São Luís.
Quem acompanha a programação das rádios em suas casas ou carros sabe que hoje temos uma vasta opção de músicas que tratam da raparigagem como uma boa prática masculina ou no mínimo comum e aceitável entre as pessoas do nosso meio em geral. Imagine você, caro colega que não sabe do que se trata, que um dos autores, no ápice de sua composição, ameaça a coitada da sua esposa dizendo que vai alugar um caminhão, parar na frente de um cabaré e encher ele de mulher, bastando para isso que a mesma reclame das saídas noturnas do dito cujo que acontecem por vários dias seguidos. Outro, ainda no mesmo tom, orgulha-se de passar todos os dias úteis da semana gastando o seu dinheiro (que não deve ser muito) com raparigas e bebidas também no cabaré, retornando no sábado cedinho para dar um trato na mulher, tomar mais uma antes do almoço e então descansar. Não atentei para o resto da programação do pé-inchado em questão.
Na verdade são muitos os exemplos e não convêm cita-los todos no Confessionário, mas uma coisa me preocupa bastante: como serão os adultos que hoje dançam e cantam essas músicas em suas festas e no dia-a-dia de seus lares? Como serão as suas famílias e atitudes? Como seremos nós diante de uma geração que aprendeu que não é tão ruim assim levar a vida entre a embriaguez e a irresponsabilidade diária?
Os jovens, sabemos, são o futuro da nação – e eles são ouvintes presentes. A banalização da boemia mascarou a saudável vida dos bares em uma ferramenta destruidora das bases de uma vida social tranqüila, a família. Pessoas como eu, que cultivam compromissos de ocasião, devem assim permanecer se assim acharem melhor. Porém, uma vez casados, é imprescindível que cumpram os deveres matrimoniais para que os filhos dessa união não se tornem pessoas frustradas e responsáveis por vários cânceres sociais como conhecemos hoje. Para isso basta lembrar que bar não é lar.
Por isso manifesto minha insatisfação com essa medíocre safra de autores e encerro a participação com uma música que canto sob condições de ebriedade e solidão:
O MUNDO É UM MOINHO (Cartola)
Ainda é cedo amor
Mal começaste a conhecer a vida
Já anuncias a hora da partida
Sem saber mesmo o rumo que irás tomar.
Preste atenção, querida
Embora eu saiba que estás resolvida
Em cada esquina cai um pouco a tua vida
Em pouco tempo não serás mais o que és.
Ouça-me bem, amor
Preste atenção, o mundo é um moinho
Vai triturar teus sonhos tão mesquinhos
Vai reduzir as ilusões a pó.
Preste atenção, querida
De cada amor tu herdarás só o cinismo
Quando notares estás à beira do abismo
Abismo que cavaste com os teus pés...
OBS: Perdoem-me qualquer erro na letra, conheço-a só de ouvido.
Um abraço.
Adagga
Um comentário:
Fantástico Adagga.
Bel Ami
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