Ana cai das nuvens.
Ana adora sentir, romantizar e experimentar. Aposta no tentar, no sorriso e no inusitado. E, como querendo se justificar, destaca que mantém limites e caretices. Crer que a ausência de certos procederes não lhe conduz a liberdade. Como mesmo diz, ela engana ou pensa que engana. Quem a vê a considera calma, tranqüila, meiga e sensível. Quem passa a conhecê-la, não consegue conte-la em adjetivos e prendê-la em fórmulas de boa moça. Ela expõem o que tem de pior, lembra que esconde sempre algo bem pior e se mostra como quem tem a essência divina. Pra completar, deixa bem claro que isso não a torna diferente, pois a essência é humana, inerente.
No entanto Ana tem uma coisa que não sabe de onde vem. Ela pensa inclusive que todos possuem essa coisa, mas não sabem percebê-la, usufruí-la. Ana enjoa. Impressionante! Ela enjoa! Enjoa os amigos, a família, o trabalho. Mas isso não causa mais tanta culpa. Isso é que ela não sabe de onde vem! Ela simplesmente aproveita pra se ver livre! Olha que ótimo: Ana diz que não tem filhos e nem marido, ou seja, não precisa abandoná-los e nem se separar! Ela acha isso "ma-ga-vi-lho-so"! Pois diz que se tivesse, não poderia mudar!
Ana abusa palavras rasas, novidades velhas, princípios exaltados e não cumpridos. Abusa suas bolsas e bijuterias. Abusa a especialização. Abusa o novo amor. De repente, não mais que de repente, tudo deixa de ser lindo.
Aí ela lembra de sua natureza caída: podre e rasa. Inerente. E nem faz questão de se sentir gente. Ela é podre. Simplesmente podre. E então, quando percebe isso, deixa o enjôo de si mesma e se curte!
Ana
Nenhum comentário:
Postar um comentário