Olha só... Pregamos a cordialidade, as idéias civilizadas, o respeito pelo que difere de nós e... Cá estamos, ironicamente envoltos por tudo aquilo que condenamos. É a tal da natureza humana, esta que, aliás, nunca nos deixou de fato, apenas finge dormir de vez em quando. Lembrei até das conversas que tive por esses dias com o meu avô, onde ele dizia que bons tempos de eleição eram aqueles em que as mães dos adversários figuravam mais que as propostas oferecidas aos eleitores. Que fosse, mas os tempos agora são outros.
Eu pensei estar vivendo numa importante fase de transição. A economia, a banalização da informação, o consumo e a competição por um lugar ao sol fizeram com que a cabeça de muita gente mudasse de uns anos pra cá. Até deduzi, numa forma ingênua de pensar, que os meus netos não conheceriam o racismo, que a empregada deles teria pelo menos o ensino médio e falaria inglês, que a intolerância religiosa seria sufocada por novos conceitos de respeito ao próximo e que, ainda nos tempos dos meus netos, os Sarneys não passariam de mais uma família e o Maranhão seria enfim um Estado politicamente sustentável.
Acorda, Adagga...
Se nos importamos grosseiramente com a higiene da bunda alheia neste espaço que, na pior das hipóteses, era pra ser um campo de debates inteligentes e acirrados, como será então em nossas vidas tão corridas? Em que somos obrigados a vez ou outra fazer pinico dos nossos ouvidos e aceitar as piores coisas possíveis de serem ouvidas e sentidas por uma pessoa? Ai, ai... Não tomamos jeito mesmo.
O meu avô, como sempre, é que está certo. Eu não estava lá pra ver, mas estou aqui e posso dizer que bons tempos talvez fossem aqueles mesmo, pois o que era pra ser dito era dito, sem que houvesse ao menos um vestígio daquilo que conhecemos e praticamos como HIPOCRISIA DA BOA VIZINHANÇA.
Sou a favor da ignorância com classe, daquelas que veste terno italiano e que te dá um dedo médio como resposta às tuas decepções.
Sentemos e tomemos um vinho para relaxar.
Adagga
4 comentários:
Adagga... quantas saudades!!
Adorei a classe e presença de espírito. Eu cheguei à beira de perder o rebolado. Como vc deve deve saber, tenho pouco jogo de cintura... Obrigada por me lavar a alma desta vez!
Enfim, deixemos isso de lado e voltemos ao vinho.
Um beijo enorme
Billie Jean
Bibi (olha a intimidade)...
Nem preciso dizer que a recíproca é a mesma, mas estou em tempos difíceis, visto que me falta o tempo e sobra o cansaço na minha rotina de estudante/trabalhador que levo todos os dias. Morro de saudades da tua compreensão e companhia, das noites em claro e das longas conversas traçadas entre nós, mas isso não quer dizer que se acabaram, apenas estão temporariamente em stand by pra quando a oportunidade surgir novamente. Espero que tu estejas bem. Te amo!
Adagga
Compreendo sua justificativa e sei que nossas longas conversas serão ainda mais prazerosas depois deste período de stand by e que sejam desta vez regadas a um bom vinho, boas risadas e muitas saudades.
Com amor
Billie
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