Acho que ando meio sem palavras. Também acho que estou trabalhando demais. Eu gosto de trabalhar, gosto de compromissos, coisas a cumprir. Gosto do certo no fim do mês. Acontece que tive umas idéias estranhas nas últimas semanas, coisas que nunca me ocorreram antes, daí fiquei preocupado. Eu quis – assim, sem qualquer julgamento – deixar tudo aqui em São Luís e viver num terreninho escondido por um interior ou zona rural qualquer do Maranhão. Planejei o cercadinho de madeira “pôdi”, a casa de taipa com chão de terra, o giral na cozinha, a rede no quarto quente sem ventilador, a poeira, o calor... Desejei como uma criança aquela sentina no fundo do quintal, cercada de palha e tudo mais, e até idealizei um curral pra criar uns bodes e uma área pra fazer agricultura de subsistência. E o lugar onde se realizaria esse doce devaneio tem nome e endereço: Bequimão, na baixada maranhense.
Eu acho que estou trabalhando muito sim, estou cansado, mas talvez não seja exatamente isso que me perturbe, quem sabe é apenas uma coisa que eu não sei explicar, embora saiba do que se trata.
Preciso de um vinho.
Um abraço.
Adagga.
– Olá! Como vai?
– Eu vou indo. E você, tudo bem?
– Tudo bem! Eu vou indo, correndo pegar meu lugar no futuro... Evocê?
– Tudo bem! Eu vou indo, em busca de um sono tranquilo… Quem sabe?
– Quanto tempo!– Pois é, quanto tempo!
– Me perdoe a pressa - é a alma dos nossos negócios!
– Qual, não tem de quê! Eu também só ando a cem!
– Quando é que você telefona? Precisamos nos ver por aí!
– Pra semana, prometo, talvez nos vejamos...Quem sabe?
– Quanto tempo!
– Pois é...quanto tempo!
– Tanta coisa que eu tinha a dizer, mas eu sumi na poeira das ruas...
– Eu também tenho algo a dizer, mas me foge à lembrança!
– Por favor, telefone
– Eu preciso beber alguma coisa, rapidamente...
– Pra semana...
– O sinal...
– Eu procuro você...
– Vai abrir, vai abrir...
– Eu prometo, não esqueço, não esqueço...
– Por favor, não esqueça, não esqueça...
– Adeus!
– Adeus!
– Adeus!
Chico/Paulinho da Viola
3 comentários:
Adagga. Você, como sempre, magistral. Além de me encantar com suas letras, me extasia ao citar uma canção que há muito não me tocava de maneira ão forte, uma cançao que fala de "encontros, embora hajam tantos desencontros pela vida", como já diria o bom e velho poetinha Vinícius.
Desculpe, Vinícius, corrijo-me: "embora haja tantos desencontros pela vida..."
Desculpe, Vinícius, corrijo-me: "embora haja tantos desencontros pela vida..."
Postar um comentário