terça-feira, junho 10, 2008

"Limpinha, meiguinha, gentilzinha..."

Bem, li o post da Ana e não pude deixar de pensar no quanto eu já quis ardentemente, com todas as minhas forças, ser "limpinha, meiguinha, gentilzinha", parecia que a vida era tão mais fácil para as pessoas assim, meigas, gentis e limpas e, acrescento, leves...É que eu sempre fui muito truculenta, dura, direta e nada, mas nada mesmo, sutil, além disso, tudo sempre me ardeu por dentro, o que parecia não acontecer com as pessoas meigas, gentis e limpas, por isso eu ansiava por esse estado de espírito de equilíbrio e sensatez que me faria ser assim, eu achava que era um estágio que eu podia alcançar, essa leveza no ser que não agride nem incomoda as outras pessoas.

Hoje, não é que eu tenha desistido, eu aceitei que não sou assim, não sou meiga, gentil, limpa ou doce, nem leve, eu sou excessiva e hardcore a maioria das vezes, mas aprendi a lidar com isso.

O interessante foi pensar agora no lado infernal de ser "limpinha, meiguinha, gentilzinha", o quão trabalhosa pode ser a manutenção desse jeito de viver e de lidar com as pessoas, não somente pelo que de não verdadeiro pode haver nessa atitude, mas, e talvez principalmente, pelo esforço que é feito para mantê-la, talvez não exista nada de leve nisso, mas somente muito empenho e apego a uma imagem...ou talvez tudo isso seja só o recalcado despeito de quem nunca conseguiu ser "limpinha, meiguinha, gentilzinha"...

Mavie.

4 comentários:

Anônimo disse...

ahahahaaha...
é verdade...
beijos
Ana

Anônimo disse...

Sem sombra de dúvidas, deve ser muito difícil mater a meiguice, a limpeza e a gentileza das quais você fala, Mavie, sobretudo quando tais qualidades não fazem parte da esssência de nossas "truculentas" personalidades "hardcore' (adorei esse adjetivo!).
Eu, por exemplo, já quis muito ser assim, uma mulher meiga, gentil, discreta, como aquelas que são sempre as mocinhas dos romances, moças finas, educadas e sempre muito sutis.
Quanto à leveza, esta eu acredito que até possa ser alcançada por nós, as ditas "hardcores", que por nossa aparente simplicidade e descomplicação, tornamo-nos mais confortáveis e com maior facilidade de interação, principalmente no meio masculino. O problema é que com tanta "testosterona", acabamos sendo sempre as amigas, confidentes e companheiras de farra. Entretanto, no fim das contas, eles sempre acabam optando pelas meigas, doces e frágeis "Charlotes".

Anônimo disse...

Apesar de todo o exposto acima, continuo acreditando que o que vale mais é sermos nós mesmas, sejam truculentas, hardcore, meigas, limpas ou de reputação não tão ilibada.
Hoje em dia cansei cansei de buscar esse ideal, na realidade esse perfil de mulher deixou de ser um ideal para mim. Com todos os contras e ônus que já arquei e venho arcando até hoje por não me enquadrar no padrão das meigas, prefiro a espontaneidade e autenticidade à toda essa força que eu teria que fazer em prol de tanta suavidade construída.
Na verdade, todas nós temos algo de

Anônimo disse...

... doce, algo de manso e suave. Todas temos dentro de nós uma Pagu, Capitu, Maria Bonita, Simone de Beauvoir, Anita, Amélia,Camille Claudel, Frida, Charlote,Cátia Flávia,Tarsila, Samantha, Marina Morena e quem mais quisermos ser. Basta que seja acionado o gatilho certo, no momento exato, de maneira precisa e pela pessoa que nós elegemos para tal ou por quem somos eleitas, e faça com que estes personagens sejam vividos por nós de maneira tão natural e prazerosa da qual muitas vezes nem nos damos conta.

Beijos,
Júlia Malfati