sexta-feira, julho 28, 2006

Convite à realidade

Escrevo e acho que finjo, não é isso que queria dizer, não é isso que sinto, mas descobri que tenho uma dificuldade enorme para entrar em contato com o que realmente sinto e por isso finjo, não por maldade, não para enganar ou ludibriar os outros, mas porque eu não consigo ser real e tomar contato com meus próprios sentimentos...
Criei uma couraça de entorpecimento que me faz seguir assim, ela me foi útil em algum momento da vida, mas agora passou e eu sigo dessa forma sem conseguir me livrar dela, por isso reconheço meu fingimento, mas para mim a busca pela verdade em mim mesma é muito maior e acabou de ser iniciada.
Para mim, tem sido fácil clamar por um beijo ou um tapa, mas sem saber qual é o meu real desejo entre os dois, se é que ele existe, só anseio sair dessa tranquilidade que eu construí, que embora tenha me poupado de dores, me poupou também de alegrias, amores e sabores...
Brigo, grito, me divirto e rio muito e bastante, até choro, mas não entro em contato com o que há em mim, tenho medo dos meus fantasmas e preciso conhecê-lo e ficar amiga deles, para seguir adiante, pois "continuo parada naquela estação" e o pior é que nem quero que o trem volte, nem desejo entrar de novo naquele trem, só não me movo, porque o não sentir assumiu um lugar de segurança e estabilidade a que eu me apeguei e me apego com todas as minhas forças, com medo de me afogar, com medo da dor.
Só que não aguento mais fingir, cheguei a um ponto em que meu corpo tem esperneado por algo real, por refazer, viver novamente, VIVER, com todas as letras maiúsculas e garrafais, mas o caminho de volta tem sido difícil e tortuoso.
Me angustio, sofro e tenho a sensação de tempo perdido, pra que se esquivar tanto do sentir? Pra que se poupar da dor? Se o ser humano não é feito senão de dores e alegrias que carrega consigo, ou seja a pessoa é a sua história, e eu só tenho negado a minha história e me recusado a ser essa pessoa que viveu tudo o que vivi, com as consequências boas e ruins dessa experiência.
Por isso, finjo descaradamente, todos os dias, mas me acostumei tanto a não sentir que sentir de novo tem sido mais difícil do que pensei, é um vício que luto para vencer!
Peço, então, paciência, amigos, pois estou tentando, lutando e brigando para romper o lacre que eu mesma criei, pois sua utilidade já passou e eu quero sentir de novo...
Mavie

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