sábado, julho 29, 2006

Estou convencida de que faltava em nossas vidas um espaço como este, ainda que fosse uma vitrine para tantas vaidades. Narcisistas ou não, convenhamos, ele tem sido um retiro aos pensamentos presos, dúvidas inquietantes e à solidão nossa de cada dia. Fico feliz pelo nosso progresso.

Deixemos que as pessoas exponham os seus poemas, suas dores, seus cotidianos e suas intenções ativistas, tudo que lhes convier, pois somos carentes de atenção, de amor, compreensão, justamente por ser muito difícil exprimir, ainda que seja para um irmão de espírito (pois nem sempre os de sangue são tão irmãos assim), tudo aquilo que nos corrói dia após dia sem que possamos ao menos frear os acontecimentos e ser feliz por algum instante. Por conta disso, acho, aliás, tenho certeza, que merecemos ouvir e sermos ouvidos (ou lidos) por quem quer que seja e pelo tempo que for. Se isso se chama vaidade? Não sei. Só sei que está intrínseco ao comportamento das pessoas assim como os órgãos que lhes dão vida e consciência para ser o que bem entenderem.

Adoraria que minha filha tivesse uma oportunidade como esta. Não de ser melancólica e saudosa como a mãe, muito pelo contrário, faço meus sinceros votos para que seja feliz na vida e no amor, mas de ter um espaço para libertar todas as suas vitórias e aflições (que certamente hão de vir, visto que é gente!), conhecer outros aflitos e saber que não é a única neste mundo a desfrutar de uma salada de sentimentos que ora nos destroem, ora nos fazem crescer em mente e espírito. No momento ela tem apenas seis anos.

Meu pai me negava diálogos quando criança, portanto, como tinha só a ele e quase nenhum outro adulto que me ouvisse e risse das minhas aventuras de menina de oito anos, acabei por confiar meus segredos a mim mesma e a mais ninguém por um bom tempo, o que persistiu até a fase adulta para ser mais exata. Por bem vieram as amizades e todas as vantagens que uma boa companhia nos traz. Fora os blogs! ;-)

Tá, mudemos de assunto.

No momento estou me sentindo melhor. Vale a ressalva porque já me acostumei com muitos dias cinzentos, com a rotina do emprego e a sempre companheira solidão. Porém, confesso que se não conhecesse tão bem a tristeza certamente não teria muito que descobrir sobre este maravilhoso mundo de parágrafos e pseudônimos, pois, como já disse, minhas palavras não conhecem muito a felicidade.

Alegra-me ter todos vocês.

Um beijo, boa noite.

Miriam Todda

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