teu texto não oferece muitos dados; fica um pouco difícil dizer alguma coisa a respeito. E me expor na condição de potencial conselheira não é uma idéia que me agrada muito. Mas, como disse em meu primeiro texto, antes de me corromper ao escrever o segundo, não estou interessada em palestrar com o vento. Com certeza, todos vocês tem muito mais a oferecer a mim do que eu mesma. Decido, pois, arriscar dizer algo que seja conveniente ao que foi descrito e torço por um acerto meu.
Assim, assumindo licitamente a posição de conselheira e não usurpando-a, já que nos foi aberto a possibilidade de atuação, digo que cada vez mais entendo que a felicidade não se resume a uma busca medíocre de se evitar erros ou dores. Se felicidade for só isso, não controlo a minha curiosidade colérica de saber quem foi que a inventou, a fim de fazer o devido acerto de contas.
Erros, dores, decepções, tragédias e todos os demais males que nos alcançam, quer ajamos ou deixemos de agir são, por assim dizer, invitáveis. Pensar nisso como uma realidade implacável diante de todos os nossos esforços despendidos na busca por uma vida "politicamente correta" não nos surge, por óbvio, como manifestação justa do acaso. Mas o acaso afeta a todos, embora, quando assim argumente, não esteja eu a querer negar a existência de uma responsabilidade indiscutível por nossas atitudes e pelo rumo que optamos dar a nossas vidas. Uma coisa não anula a outra, embora assim possa ter involuntariamente parecido.
Mas, viver fugindo de erros (me refiro aqui aos inevitáveis, por excelência) e todas as outras espécies de ocorrências não alcançadas por nosso controle, não é viver, é fugir e você não deve nada a mim e nem eu a você. Erros se consertam com perdões, liberados para o outro e, ressalto, para si mesmo.
A vida é bela e ainda mais bela se torna quando vivida sem medo, com uma postura desbravante e humilde, sabedora dos erros que inevitavelmente irá cometer e que invitavelmente requererão perdões e mais perdões. Tenho meus princípios e também não abro mão dos mesmos. São parte de mim, do que sou. Mas, aprendi, e ainda bem que não muito tarde, que a decisão racionalmente mais lógica nem sempre significa, necessariamente, a fidelidade a princípios.
Há uma mania de supervalorizar a razão, deixando que a mesma sufoque o coração. Então, opta-se por amputar o coração e depois disso sobram auto-congratulações por ter decidido pelo caminho racionalmente mais "correto". O que quase sempre não nos damos conta é que deixa-se, com isso, de liberar o que há de mais fresco, de mais novo, de mais genuíno e, consequentemente, de mais bonito dentro de nós mesmos. A razão não consegue explicar todas as coisas e a mente humana ainda não conseguiu solucionar todos os problemas.
Meu conselho: viva as intenções do teu coração usando como filtro teus bons princípios. Quanto a razão, esta faz parte de você, assim como o teu coração; não deixe nenhum dos dois em desuso. Simplesmente viva.
Espero ter ajudado de alguma forma.
Carlota Joaquina
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