Bom dia,
Depois de ler o confessionário hoje, foi inevitável o desejo de responder a tudo que Bob fez acontecer.
Sinceramente, achei tudo muito confuso, parece que nada casa com nada.
Bob, permita-me. Senti uma raiva tremenda quando li o seu comentário. Aos que não quiseram se manifestar por terem sentido raiva dele ou se manifestaram na penumbra de outras palavras, aqui estou para dizer que senti raiva e muita. E pior fiquei muito irritada. Não pela sinceridade de tuas palavras, pois sinto como se fosse uma metralhadora de idéias, que precisavam ser expressas.
Mas pela forma que tu te colocaste: como se viver fosse simplesmente reagir a tudo a nossa volta, e de maneira agressiva. Seja com revoluções ou mandando o chefe ir tomar no cú .
Bob, tu começaste falando de tempo. Como se o tempo não pudesse ser utilizado para compartilhar idéias e sentimentos. Tem coisa mais ridícula do que o tempo??? Existe tempo para ficar na escola, existe tempo para entra na faculdade, existe tempo para começar a trabalhar, existe tempo pra já ter feito inglês, existe tempo pra perder a virgindade, existe tempo para produzir... Tempo que o sistema, feito por nós, instituiu. E o pior, existe o tempo que não pode ser perdido com assuntos que tratam de nós mesmo. Afinal enquanto estou escrevendo aqui deveria estar trabalhando, pois já são oito e quarenta (horário comercial). Destaco: viver com responsabilidade e se adequar ao horário comercial não me fazem escrava do tempo, me fazem participante de uma cultura.
Depois tu falaste de vida produtiva x sentido. Eita bob, não posso esconder minha revolta. Existe coisa mais terrível do que confundir sentido com produtividade??? Caramba!!! O que todos estão fazendo aqui é também encontrar sentido pra algumas coisas na vida (destaco o “também”, pois sei que nem tudo o que fizermos aqui encontraremos sentido, simplesmente falaremos do que somos)
Depois tu falaste de algumas coisas que fazemos como: comprar, comer, pensar. E de fato nós temos sido vitimas de uma sociedade consumidora... Mas eu faço parte dessa sociedade! Essa sociedade que tem que ter computador, internet, informação, tênis, cinema. Esta sociedade que não divide renda. Que contrata uma empregada doméstica e não assina carteira; que não é capaz de tirar uma parte de seu salário e ajudar alguém; que anseia por um carro, pois não agüenta o serviço de transporte publico da cidade, além do que é status. E assim vivemos nesta sociedade capitalista, onde enfrenta-la é muito mais que ir às ruas, é perder um pouco do que se tem para que ela pareça menos desigual.
Por fim, me alegra o teu desejo por mudança. Mas me incomoda as idéias confusas. Espero não estar te agredindo, mas viver o tempo que tempos é muito mais do que fazer/ produzir, mas ter certeza que essas coisas têm sentido. E o confessionário foi criado para isso também.
Ainda que esta coisa seja uma revolução social. Mas ter certeza de que este é o caminho. Eu aprendi que as grandes revoluções foram importantes, mas que não resolveram o problema da humanidade. Nossos problemas estão na alma. e são exteriorizados com desigualdades, injustiças, orgulhos, brigas...
E ser humano também é expressar sentimentos e angustias...
Espero não ter levado o seu post ao pé da letra. Mas tive que usar os seus exemplos, para expressar o que senti quando li.
Destacando, não estou indo contra o Bob. Ele é muito bem vindo. Estou apenas não indo contra mim mesma, por isso escrevo.
Ana
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